- oi alegria! bom te ver! você vem sempre por aqui?
- só vez em quando.
- vem mais vezes? só de te ver…
- melhor não, você pode enjoar…
- é só pôr um pouco de sal que desenjoa, vem cá!
- quem disse que eu sou doce?
- todo mundo!
- “todo mundo” quem?
- ah, todo mundo… esse povo doido que escreve poesia quase sempre diz que é.
- eles escrevem de mim até o cair das lágrimas. dos que sabem que as vezes sou amarga.
diálogos poéticos – alegria
Novembro 28, 2009diálogos poéticos – conversa de cozinha
Outubro 26, 2009tem alguém na cozinha.
te pego na geladeira pensando na vida?
fecho a porta e não vejo ninguém.
você é pensamento
do seu jeito de ser além-vida.
“de boca cheia eu penso melhor”
e sigo sua idéia comendo um brigadeiro que roubei da festa ontem.
brigadeiro roubado tem quase gosto de pecado
logo de manhã, um pecado que me cai bem.
saboreio pensando:
pecado é bom,
mas o que quero não está alí.
fecho a geladeira,
vou pra janela ver o alheio.
uma nuvem me lembra nosso desenho
que nem é nosso, talvez nem seja arte
mas é a gente, de algum jeito.
a janela não me cabe,
escapo ledo e vou pra rua.
quem sabe pixa,
que não sabe a tinta puxa.
poxa, a vida
rabiscou você em meus versos.
BoB
Outubro 9, 2009
imagem por Stefânia Masotti
com poucas letras se escreve
com muitas brincadeiras se fez
bob.
de tras pra frente
de frente pra tras
bob.
pra cuidar de quem está doente
ficar por perto e selar como quem sente
bob.
pra proteger em sinal de perigo
uma mordida em quem mexe comigo
bob
pra dormir aos pés da cama
acordar as sete sem drama
bob
pra afastar pesadelo, trovão ou qualquer coisa que se atreve
até aquilo que não se vê mas se mexe
bob
aquele que chegou pra me salvar
praquele a quem eu vou voltar
bob
muito além do que parece
união à distância não é coisa que se mede
bob.
pra qualquer dia
qualquer hora
aquele que sempre incomoda
bob.
eu sei, ele faz tudo só pra provocar
porque no fundo ele sabe,
que aquele que manda e desmanda,
é bob.
é peixe com câncer de sede
Setembro 19, 2009tem pedaço dela no meu
tem pedaço meu no meio
dois pedaços inteiros.
tem espaço branco em volta
tem nuvem no meio
dois balões sem corda.
tem foto na memória
tem fato no registro
dois artefatos na mola.
tem tubarão na rede
tem peixe dentro dele
é peixe com câncer de sede.
homenagem ao presente
Agosto 19, 2009criança é esperança? – pergunto pra ele.
os adultos não deviam ser a única esperança delas? – ele responde perguntando.
e assim começa mais uma das nossas conversas paralelas…
- as crianças acham que os adultos são a esperança e os adultos acham que elas são a esperança de futuro.
- e o presente, como fica?
- tem ficado sozinho…
- vamos fazer um carinho nele? será que ele é atraente e cabeça aberta?
- acho que ele sim, pode ser tudo
- vamos pensar mais nele do que naquele tolo do futuro e no chato do passado?
- podemos tentar.
- e se a gente se apaixonar e querer viver só por e para ele?
- acho que ele vai finalmente nos apresentar aos pais: o amor e a vida
- e a gente lhe apresenta o sogro: o tempo.
- será que ele agüenta?
- não dá pra ignorá-lo…só pra ser amigo dele…
- presente é um cara bacana, mas o tempo é cruel.
- que o presente se faça presente!
- essa conversa não é uma homenagem a ele?
- é muito pequena para ser uma homenagem.
- poderia ser se a gente a publicasse. que tal?
- o cara merece
.:.escrito por Stefânia Masotti e Douglas Lisboa.:.
ar(t-e)fato
Julho 30, 2009
foto de Eduardo Valente
arte de fato
só nasce
quando há vida
em fantasia.
o artefato
só aparece
pra quem tem sede
e excede.
arte é fato
é vida que acontece
e renasce em poesia.
caminho pelo improvável
Julho 23, 2009
foto de Stefânia Masotti
dê o primeiro passo, estarei ao seu lado.
não te prenderei às minhas mãos, mas elas estarão ali sempre que precisares.
ande, vá para qualquer lado.
podemos ir juntos em caminhos diferentes.
sob o mesmo céu e aquele desenho na nuvem a nos guiar.
vamos, não importa para onde.
vês aonde fomos parar?
vês aonde fomos nos encontrar?
improvável é não acreditar.
se até quem está morto pode voltar, por que não simplesmente continuar?
a nossa contínua falta de repetição.
e as nossas conversas que nunca conseguimos terminar…
seguimos… sem juras eternas
(a eternidade é a cada segundo.)
seguimos… com a curiosidade de crianças
(a nossa idade é medida em ano bissexto)
seguimos… descobrindo novos lugares,
(excelentes lugares bonitos em cada olhar pelo caminho)
seguimos… simplesmente seguimos
(de portas abertas pra qualquer felicidade)
belo horizonte
Julho 9, 2009
visão por Stefânia Masotti
é belo o horizonte
de pedras, de mar, de montanhas
de beira de estrada, de beira de praia, de beira de varanda.
é belo o horizonte
do olhar da pessoa amada
do olhar do malabarista
do olhar do mestre.
é belo o horizonte
da esperança
da pedra que acabou de ser jogada
do passado presente agora.
foca
Junho 30, 2009
foca
dá a corda
faz o laço.
foca
grito na foda
mãos no amasso.
foca
estratégia que molda
objetivo como alvo.
foca
lazer na sola
sapato apertado.
foca
ida e volta
verão ensolarado.


