eu vou mandar fazer uma flor com o nosso DNA
vai ser da cor dos sonhos – que nos levam,
com cheiro das nossas peles – que gritam
e frutos do nosso sexo – que acalma.
para a mistura:
um pedaço seu em mim
e um pedaço meu em ti
multiplicados com uma pitada da nossa saliva.
instruções:
germinar ao sol do amanhecer,
expor à lua quando nasce.
plantar em terra de mangue
com água de mar um dia, água de rio noutro
e pororoca aos finais de semana.
quando brotar a primeira flor,
deixar que se desmanche
e volte à terra como cinzas do nosso amor.
as seguintes, que se espalhe
com aquele vento florescente da primavera.
e no outro ano,
quando nosso amor já for outro,
que cada um plante uma nova flor
com DNA de bioarte
que se renova a cada oxigênio de tinta fresca.
(inspirado na obra “Edunia” de Eduardo Kac)


