
foto de Eduardo Valente
arte de fato
só nasce
quando há vida
em fantasia.
o artefato
só aparece
pra quem tem sede
e excede.
arte é fato
é vida que acontece
e renasce em poesia.
“…pergunto-me o que é que será possível fazer para preservar aquilo, aquele momento, aquela coincidência entre uma visão e um sentimento.” (Alexandre Melo)

foto de Eduardo Valente
arte de fato
só nasce
quando há vida
em fantasia.
o artefato
só aparece
pra quem tem sede
e excede.
arte é fato
é vida que acontece
e renasce em poesia.

Créditos não encontrados.
angústia é fala entupida.
e ela guardou na garganta toda uma vida.
uma vida que ela queria ter vivido, mas não viveu.
uma vida de coisas que ela queria ter feito, mas não fez.
uma vida de palavras que ela queria ter falado, mas não falou.
agora a fala entope a veia, pára o cérebro, enfraquece o coração e o corpo dói.
se vê estabilizada pelo que tá preso na garganta.
angústia é fala entupida e entupiu a veia que faz a liga.
o sangue precisa de espaço para circular.
sentimento precisa de espaço pra se perder.
fala precisa de ar pra ecoar.
e eu preciso de você.
põe pra fora toda essa vontade.
larga tudo e faça só o que você quer.
só você, nada dos outros ou para os outros.
nada dá, só você.
aprender a nadar, andar de bicicleta, andar, andar, andar.
andar quase correndo.
andar.
ir, ficar, achar o seu lugar.
não o lugar dos outros, não a casa dos outros, não a cidade dos outros.
o seu, o que tá guardado, o que você sabe, mas não fala, não faz, não haje.
se já é tarde, que anoiteça de uma vez.
se não adianta, que se acabe logo.
mas não é.
ainda há.
ainda ar.
ainda circula.
ainda bate.
ainda pulsa.
ainda impulsa.
ainda rebate.
e enquanto houver vida, viverei.
e enquanto houver vida, voltarei.