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(con)sentimento

dezembro 23, 2009

Sem caça, nem caçador, amor, que vem, senta, abraça e fica. Abre o vinho – que eu não consigo, usa minha caneca – que você esqueceu a sua, e divide este roxo – em meio ao laranja e vermelho, comigo.

Vem e vai, habitante único de um lugar só nosso. Curador da minha arte, que não cabe, que eu não entendo, mas você, óh você.., parece que entende, e decifra o que eu digo com o olhar que reflete, que brilha, mas que é calmo, sendo assim, desse suave-profundo jeito, a melhor ilustração pra cada palavra que berro, que canto, que grito, que suspiro ao final do seu cabelo, cachos de onde pigam as chuvas mais gostosas de se brincar.

Tu poderias cuidar de mim, reunião de todos eles em um só ser, porque se não for contigo ou alguém parecido assim, não quero, digo não e vivo sozinha. Antes louca do que mal acompanhada, antes só do que sem você. Verbo sujeito esquecer, não esquece dos sentimentos que lhe digo, de todo o resto: deixe como combustível, preciso ficar irritada, e deixe como sinal, para além das mordidas que contestam a verossimilhança com os deuses, de que és humano, não somente sobrenatural.