Archive for março, 2009

a vela e a cera

março 19, 2009

a vela e a cera
ao vê-la, será?
acesa
a vela ao vê-la
virei pro que será
a vela para vê-la
e ver ocê ará
a vela acesa
acesa para o mar
ser pra vê-la
vela pra levar
a vela acende
o ver de amar

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distraído

março 17, 2009

eu pegava
ah, se pegava!
chegava e jogava com tudo.
apertava, beijava muito.

mas ele passou e nem olhou!
distraído, fiquei só vendo seu sorriso.
ele passou, sentou por perto, mas se fechou.
ficou só no seu mundinho.
e eu só querendo mostrar meu mundo pra ele.

levanta e vem aqui, vamos conversar.
se aproxima que eu te distraio e te trago pra cá.
toma a atitude que eu não tenho coragem de tomar.
tira o óculos, tira essa pose de sério que você usa pra enfeitiçar.
vem pra cá!

mas ele nem me olhou.
talvez se olhasse e eu sorrisse e a gente se levantesse…
distraídos venceremos, diz o poeta.
boa sorte praquele distraído bonitão.

andando

fala entupida

março 8, 2009
Créditos não encontrados.

Créditos não encontrados.

angústia é fala entupida.
e ela guardou na garganta toda uma vida.
uma vida que ela queria ter vivido, mas não viveu.
uma vida de coisas que ela queria ter feito, mas não fez.
uma vida de palavras que ela queria ter falado, mas não falou.
agora a fala entope a veia, pára o cérebro, enfraquece o coração e o corpo dói.
se vê estabilizada pelo que tá preso na garganta.
angústia é fala entupida e entupiu a veia que faz a liga.

o sangue precisa de espaço para circular.
sentimento precisa de espaço pra se perder.
fala precisa de ar pra ecoar.
e eu preciso de você.

põe pra fora toda essa vontade.
larga tudo e faça só o que você quer.
só você, nada dos outros ou para os outros.
nada dá, só você.
aprender a nadar, andar de bicicleta, andar, andar, andar.
andar quase correndo.
andar.
ir, ficar, achar o seu lugar.
não o lugar dos outros, não a casa dos outros, não a cidade dos outros.
o seu, o que tá guardado, o que você sabe, mas não fala, não faz, não haje.

se já é tarde, que anoiteça de uma vez.
se não adianta, que se acabe logo.
mas não é.
ainda há.
ainda ar.
ainda circula.
ainda bate.
ainda pulsa.
ainda impulsa.
ainda rebate.
e enquanto houver vida, viverei.
e enquanto houver vida, voltarei.

menina da água

março 1, 2009
Foto de Dae Mon

Foto de Dae Mon

o rio veio e transbordou
eu fui pra beira e ele me puxou
me levou em seus braços,
me envolveu com seus encantos.

o rio veio e transbordou
eu fui sem esperar e ele me acertou
me fez mudar de rumo
me fez mudar de planos.

o rio veio e transbordou
eu fui pra curar o passado e ele me presenteou
me trouxe esperança de futuro
me trouxe esperança de outro mundo.

o rio veio e transbordou
eu só procurava um pouco de paz
eu estava em paz
mas ele me puxou.

o rio veio e transbordou
eu era pura vontade, eu era pura emoção.
me fez perder o norte,
pra me ensinar uma nova canção.

o rio veio e me transbordou.
água de rio quando invade, não tem correnteza de mar que segure.
olhos serenos quando se abrem, não tem coração que não se ilude.

o rio veio e me transbordou
eu era só intensidade, eu era só um furacão.
água de mar quando invade, traz maremoto e faz trovão.

o rio veio e me transbordou
mas a onda do rio é diferente, e eu não sabia
mas em onda de rio não dá pra pegar jacarézinho, e eu insistia.

o mar veio e me transbordou
maré que leva, maré que traz
a pororoca só anda porque o mar vem atrás.

o mar veio e me transbordou
veio onda, veio sal, veio água-viva e me queimou.

o mar veio e me transbordou
o mar machuca, mas cicatriza.
inspira, alivia, horizonte, acima.

o mar veio e me transbordou
onda de rio quando vem, cerca.
onda de mar quando bate, leva.

o mar veio e me transbordou
a sua linha infinita me liberta
seu vento me assopra
e seu cheiro me tempera.

o mar veio e me transbordou
sal me salva, tenho pressão baixa.
água fria me refresca, me livra do inferno em que estava.
areia me invade, penetra e tira tudo o que restava.